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Sigmund Freud
(1856 - 1939)
"A investigação psicológica - num sentido mais amplo - prova que nas profundezas do espírito humano existem tendências ou impulsos de natureza a mais elementar, análogos em todos nós, e que tem por fim a satisfação dos prazeres, verdadeiramente selvagens ou primitivos, os quais, por si mesmos, não são bons nem maus"
(Sigmund Freud)
Sigmund Freud - Uma Vida de Dedicação e Amor
Freud nasceu às 18:30 h do dia 6 de maio de 1856, uma terça feira, na pequena cidade rural de Freiberg, no nordeste da Moravia, próxima a Ostrau, onde voltou uma única vez, aos 16 anos. Freiberg (hoje Pribor), na Republica Tcheca, situava-se no Império Austro-Húngaro. Quando de seu nascimento, a Austro-Hungria era uma vasta extensão territorial e incluía parte do que hoje é a Hungria, parte do norte da Itália e parte da Iugoslávia, Freiberg era parte desse império que fica a 240km de Viena, cidade para a qual a família de Freud mudou-se em outubro de 1859, quando ele tinha pouco mais de 3 anos de idade, depois de passar alguns meses em Leipzig. Em Viena viveu sempre no Leopoldstadt (ou 2o. distrito). Freud viveu na capital do Império quase toda a sua vida, só deixando a cidade em 1938, um ano antes de morrer, quando os alemães já entravam em Viena. Freud produziu seus trabalhos em língua alemã, que se falava e se fala ainda na Áustria, fato que motiva questões ligadas às traduções deles. Bruno Bethelheim, Pontalis e outros escreveram sobre o fato e mostraram que as nuanças de certas palavras alemãs nem sempre correspondem às empregadas pelos tradutores, falseando, muitas vezes, as idéias do autor. De fato, o idioma alemão é mais intimista do que outros, o inglês, por exemplo, mais técnico e pragmático. Viver em Viena não foi sem conseqüências, em fins do século passado e início deste, a cidade disputava com Paris a liderança mundial no campo das ciências e das artes, o que significa dizer que lá estavam os luminares de então que na medicina foram, quase todos, professores de Freud. Ele foi o primeiro filho do terceiro casamento de seu pai, do qual nasceram sete outros irmãos, dos quais apenas ele e o caçula (dez anos mais novo), eram homens. O segundo, Julius, morreu quando Freud contava dezenove meses de idade, seu sobrinho era um ano e meio mais velho que ele. Freud referia-se à sua família como um livro do qual ele e o irmão, Alexander, constituíam a capa, a proteger as irmãs (Ana, Rosa, Marie, Adolphine e Paula). Quando nasceu, sua mãe tinha vinte e um anos e era muito mais nova que seu pai, já com quarenta. Muitos autores acham que esta peculiar constituição familiar agiu de modo altamente instigante para a mente da criança, contribuindo para as bases de sua personalidade e suas inquirições futuras. Seu pai era de posses modestas e tendo seus negócios entrado em crise, forçou a mudança da família para Viena. Lá, ele continuou com as mesmas atividades, mas, provavelmente passou a receber ajuda de Emanuel e Felipe que haviam se mudado para Manchester (na Inglaterra), tornando-se relativamente prósperos. Freud parece ter sido um menino muito devotado ao estudo e à leitura, durante sete anos foi o primeiro de sua turma e graduou-se no Gymnasium com louvor, aos 17 anos. Lia desde muito pequeno, mas sua aversão à música era proverbial. Teve uma babá que o levava à missa católica, mas ele nunca formou uma convicção religiosa, conservou hábitos judeus. Aos 30 anos de idade, seu pai presenteou-lhe com uma Bíblia, que ele parece ter lido com um marcante interesse científico. Em sua juventude era inclinado à especulação, que foi depois substituída por apaixonada defesa do empirismo e que retornaria ao fim da vida, depois de considerar uma carreira na área de humanidades, estudou medicina, ingressando na Universidade de Viena em 1873, aos 17 anos e diplomando-se em 1881. Estes oito anos que passou na Faculdade de Medicina, quando o curso podia ser concluído em apenas cinco, não foi devido a dotes intelectuais precários (eram excelentes), mas a seus divergentes interesses os quais o levaram a muitas atividades a que não estava obrigado, inclusive a aulas de filosofia, ministradas por Brentano. Segundo ele próprio, a decisão pela Medicina foi tomada ao ouvir uma conferência de Karl Brühl sobre o poema de Goethe, Da Natureza. Recém formado, em 1882 trabalhou como interno no Hospital Geral de Viena, passando por vários departamentos, mas suas inclinações iniciais nunca adormeceram de todo, mais tarde diria: "Depois de 41 anos de atividade médica, meu autoconhecimento me diz que nunca fui realmente um médico no sentido próprio. Tornei-me médico ao ser compelido a me desviar de meu propósito original; e o triunfo de minha vida consiste em eu ter, depois de uma longa e tortuosa jornada, encontrado o caminho de volta para minha trajetória inicial". Desde cedo se manifestara a verdadeira direção de seus interesses: "Em nenhum momento sentia uma inclinação especial pela carreira de médico e era movido, antes, por uma espécie de curiosidade dirigida para o gênero humano do que para os objetos naturais". De 1876 a 1882 trabalhou com Ernst Brücke no laboratório de fisiologia deste, que abandonou somente após conselho do mestre e sob a premência de necessidades econômicas. No Hospital Geral de Viena no departamento de neuropatologia do Dr. Scholz acabou tornando-se excelente neurologista, com 29 anos, em 1885 foi designado professor de neuropatologia. O cientista empírico parecia estar consagrado, no entanto, seus mais célebres trabalhos como analista referem-se à vida social e são especulativos. Formado, tentou continuar como pesquisador, por cerca de dois anos trabalhou no laboratório de Brücke, como estudante já se dedicara à pesquisa fisiológica, sob a direção deste orientador. Necessidades econômicas levaram-no a aceitar o conselho para dedicar-se à clínica, começou pela neurologia e se interessou logo pela histeria, muito incidente e ainda misteriosa, à época. Entre outubro de 1885 e março de l886, estagiou durante 19 semanas no hospital de La Salpetiere, em Paris, onde aprendeu com Charcot que ela podia ser provocada e removida, bem como diferenciada de condições neurológicas por meio da hipnose (que não era tida em boa conta no meio científico de Viena). Visando aperfeiçoar-se na sugestão hipnótica, esteve uma segunda vez na França, em 1889, desta vez em Nancy, com Liebault e Bernheim, que a utilizavam para aquela finalidade. Em 25 de abril de 1886 abriu seu primeiro consultório (Rthausstrasse 7) e em setembro do mesmo ano casou-se com Marta Bernays, de Hamburg. Teve uma vida conjugal feliz da qual resultaram seis filhos, Mathilde (1887), Jean Martin (1889), Oliver (1891), Ernst (1892), Sophie (1893) e Anna (1895), dos quais só a última seguiu-lhe os passos. Até 1891 morou com a família na Maria Theresienstrasse, 8, a partir daí residiu no endereço da Bergasse, 19, no 9o. distrito de Viena, de onde só sairia em 1938, para Londres, pressionado pelos nazistas. Para Freud, a comparação do seu trabalho com o de um arqueólogo não ficou só na teoria, ele desenvolveu, também um gosto por colecionar estatuetas antigas e fez delas uma de suas principais preocupações, quando teve que se mudar de Viena para Londres. Os nazistas permitiram que ele as levasse consigo na sua mudança para Londres e lá elas tiveram um lugar de destaque no seu gabinete e que hoje estão no Museum Freud, na casa em que ele viveu seus últimos dias em 20, Maresfield Garden. A variedade da procedência delas atesta a extensão de sua cultura e a vastidão de seus interesses. "Chegaram todos os Egípcios, Chineses e Gregos. Suportaram seu transporte com escassos danos e aqui parecem muito mais imponentes do que em Bergasse. Apenas uma observação: Uma coleção a qual não se ajuntam novas peças em realidade está morta". (Carta de Freud a Jeanne Lamp-de-Groot, 08/10/38). Em 1902, iniciou as reuniões da Sociedade Psicológica das Quartas Feiras, junto com Wilhelm Stekel, Alfred Adler e outros, posteriormente com Sandor Ferenczi, Karl Abraham, Ernest Jones, formaram uma biblioteca que foi destruída pelos nazistas em 1938. Freud teve vários discípulos e seguidores, alguns dos quais contribuíram com vários desenvolvimentos, outros adotaram métodos e escolas próprias: Alfred Adler - (Psicologia individual), enfatizou a importância do impulso para auto-afirmação pessoal, ou a vontade de poder. Carl Gustav Jung - (Psicologia analítica), investigou camadas profundas do inconsciente, onde encontrou imagens e símbolos de um caráter coletivo, dando contribuições para a classificação e descrição de tipos psicológicos. Otto Rank - Enfatizou o problema de separação e união, e a função da vontade. Karen Horney - Sublinhou a importância de conflitos atuais e da necessidade de segurança. Erich Fromm - Acentuou as pressões sociais sobre os indivíduos. Em 1923, com 67 anos aparece o primeiro sinal de câncer, precisou usar uma prótese para separar a boca da cavidade nasal, foi submetido a 33 cirurgias em 16 anos de câncer. Morreu a 23 de setembro de 1939, em Maresfield Gardem, 20, em Londres. Atendeu seus pacientes até um mês antes de sua morte.
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