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Introdução
"A especulação psicanalítica está ligada a uma verificação feita no decorrer do exame de processos inconscientes, a saber, que a consciência,
longe de representar a característica mais geral dos processos psíquicos, só deve ser considerada uma função específica desses processos".
(Sigmund Freud)
Criada por Sigmund Freud, a psicanálise abrange a teoria que tenta examinar certas anomalias do comportamento humano, é um sistema de terapia baseado nessa teoria, cujo objetivo é a correção de distúrbios mentais e do comportamento. A psicanálise teve mais influência sobre as artes, literatura e arte dramática do que qualquer outra teoria psicológica, também revolucionou a psiquiatria e é a mais conhecida e recebida pelo público do que qualquer outro sistema de psicologia. Freud começou como psiquiatra clínico, desapontado com a tradicional abordagem médica da neurologia e fisiologia para o tratamento das desordens mentais, voltou-se para uma abordagem mentalista e enfatizou a origem mental ou psíquica dos aspectos do comportamento. Inicialmente, tentou tratar seus pacientes por hipnose, mas aos poucos evoluiu para o método de "conversação", o qual se tornou a essência da terapia psicanalítica. Influenciou a psicologia, enfatizando os aspectos "dinâmicos", realçando a motivação e o conflito. A compreensão do comportamento parecia estar no reconhecimento dos instintos, anseios e impulsos que dão a energia usada nas ações individuais -, liberação de energia, transferência e fixação de energia, são conceitos motivacionais básicos. Freud destacou a importância das ansiedades e medos na formação do comportamento individual, enfatizou a importância do inconsciente como fonte de motivos (desejos reprimidos) e repositório de lembranças. A experiência como psiquiatra o fez crer que as pessoas são perturbadas pelas mesmas ansiedades, conflitos e frustrações que ocorrem em pacientes desajustados. A diferença entre normalidade e anormalidade é uma questão de grau, mostrou as diferentes formas que os indivíduos se ajustam ao conflito e à frustração, observando que são de comportamento comum na vida diária. Outra influência foi a ênfase dada ao considerar a primeira infância como um período crítico, com estágios definidos e períodos de transição na formação da personalidade -, Freud acreditava que muitos desajustamentos dos adultos tinham origem nos conflitos e frustrações infantis. As idéias de Freud são apoiadas pela preocupação com o comportamento da criança, comportamento social, diagnóstico clínico, tratamento de pacientes com desordens mentais ou aconselhamento para problemas de ajustamento à vida diária. Freud criou o termo psicanálise, que no curso do tempo veio a ter dois significados: um método específico de tratar as perturbações nervosas e a ciência dos processos mentais inconscientes. De início empregou os termos análise, análise psíquica, análise psicológica, análise hipnótica, em seu primeiro artigo As psiconeuroses de defesa. Tempo depois, introduziu o termo psycho-analyse num artigo sobre a etiologia das neuroses, aparecendo pela primeira vez em 1896 em Novas observações sobre as psiconeuroses de defesa. O uso do termo "psicanálise" consagrou o abandono da catarse sob hipnose e da sugestão, como também o recurso exclusivo à regra da associação livre para obter o material. A psicanálise encontra apoio crescente como método terapêutico, devido ao fato de que pode fazer mais pelos seus pacientes do que qualquer outro método de tratamento. O principal campo de sua aplicação é nas neuroses mais brandas como a histeria, fobia e estados obsessivos, como também na mal formação do caráter e inibições ou anormalidades sexuais, podendo trazer melhoras ou recuperações. Em circunstancias favoráveis, pode lidar com estados depressivos, mesmo sendo de tipo grave.
Definição e Conceito
Disciplina fundada por Freud, na qual distingui-se três níveis:
· Um método de investigação que consiste em evidenciar o significado inconsciente das palavras, ações, produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Tal método baseia-se principalmente nas associações livres do sujeito, que garantem a validade da interpretação. · Um método psicoterápico baseado nessa investigação e especificado pela interpretação controlada da resistência, transferência e desejo. O uso da psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a esse sentido. · Um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento.
Freud deu várias definições de psicanálise, como sendo o nome de:
- Um procedimento para a investigação dos processos mentais que, de outra forma, são praticamente inacessíveis. - Um método baseado nessa investigação para o tratamento de distúrbios neuróticos. - Uma série de concepções psicológicas adquiridas por esse meio e que se somam umas às outras, para formarem uma nova disciplina científica.
Em suma, a psicanálise estuda o inconsciente do ser humano, investigando os processos mentais, verificando a origem do conflito ou trauma, chegando à causa. É de abordagem específica e se distingue por sua elaboração teórica estruturada e, ao contrário dos demais sistemas de tratamento, adota um programa de longo prazo, cujo objetivo é a reestruturação completa da personalidade.
Psicanálise
A psicanálise depende da substituição de atos mentais inconscientes por conscientes, que dependerá da superação das resistências internas na mente do paciente. A psicanálise considera a vida mental sob três pontos de vista ou modelos metapsicológicos: tópico ou topográfico, econômico e dinâmico. O primeiro trabalho da psicanálise foi elucidar os distúrbios neuróticos, a teoria psicanalítica baseia-se em três pontos: do reconhecimento da repressão, importância do instinto sexual e da transferência. A psicanálise promete tornar-se o elo entre a psiquiatria e os outros ramos da ciência mental. Segundo Freud, a mente está dividida em três unidades (id, ego, superego), ligadas entre si por uma constante interação, cada uma delas tem uma certa independência e identidade próprias. Muitos problemas psicológicos são causados por conflitos entre as três unidades dinâmicas que compõem a mente. O objetivo da psicanálise é resolver esses conflitos -, numa pessoa normal, essas três forças estão razoavelmente equilibradas, os impulsos do id encontram vazão satisfatória sem impedimento do superego ou perturbação do ego; o bloqueio dos impulsos sexuais instintivos do id pelo ego ou pelo superego, é a principal causa de conflito, ansiedade e neurose, ele conclui que se a fonte desses conflitos fosse conhecida, a neurose poderia ser erradicada. Freud acreditava que o impulso sexual (libido) é uma fonte potente de energia e bloqueá-la ou frustra-la, acarretaria um grande perigo para o indivíduo -, é uma força motivadora da vida e, também, fonte de neuroses. Freud procurou distinguir os principais momentos do desenvolvimento da sexualidade infantil, mostrando seus diferentes aspectos -, durante o primeiro ano de vida a sexualidade da criança concentra-se na boca, trata-se da fase oral, que pode ser dividida em dois estágios: o primeiro é o erotismo oral, caracterizado pela sucção do seio materno, bico da mamadeira e da chupeta. O segundo é o sadismo oral, quando a mordida torna-se mais importante. Por volta do terceiro ano de idade, o ânus substitui a boca como centro mais importante de satisfação, iniciando-se a fase anal, onde podem ser distinguidos dois estágios: no primeiro a criança consegue prazer pela expulsão das fezes e, no segundo, pela retenção. A fase anal coincide com o aprendizado das primeiras noções de higiene. Em torno do quarto ano de idade, tem início a fase fálica, durante a qual a sexualidade concentra-se no pênis do menino e no clitóris da menina -, os meninos passam a se interessar pela potência da micção e pelo tamanho do pênis. Após, em torno dos cinco anos de idade, o complexo de Édipo e o de castração reprimem a sexualidade infantil, até a puberdade -, inicia-se a fase genital, quando todos os elementos das fases anteriores são organizados e subordinados aos propósitos adultos. Segundo Freud, a sexualidade infantil está presente em toda a vida humana, formando a base para todas as estruturas do comportamento. Afirmou que os traços permanentes de caráter são fixações do impulso original (erotismo pré-genital), ou sublimações do mesmo, ou formações reativas contra ele, resultando em comportamentos opostos. As sublimações resultantes das proibições que pesam sobre a manifestação da sexualidade infantil, eram mais importantes que as fixações do erotismo pré-genital. Na sublimação o desejo sexual se manifesta por intermédio de substitutos simbólicos. Segundo Freud, proibindo as crianças de manipularem suas fezes, ela poderá manifestar características da fase anal, passando a manipular tintas; assim, a pintura e escultura seriam formas sublimadas de erotismo anal. Já as formações reativas implicariam numa atitude oposta da criança ao impulso original - o desejo de sujar-se com fezes, por exemplo, transformar-se-ia em hábito de limpeza. Freud considerava que o ponto culminante do desenvolvimento da sexualidade infantil é atingido na fase fálica, durante a qual surgem os complexos de Édipo e o de castração -, em torno do quinto ano de idade, o menino desejaria possuir a mãe e só deixaria seu intento por causa do pai, desenvolve a consciência moral, o superego. As meninas teriam ciúmes da aparente superioridade genital dos meninos e passariam a invejá-los, isso a colocaria contra a mãe, a quem responsabilizaria pelo fato de não terem pênis e dedicariam seu amor ao pai. A menina ao começar a se identificar com a mãe, pode ter os desejos edipianos superados. O que resta do complexo de Édipo não totalmente superado, podem ser encontrados no comportamento do homem que não consegue casar por não encontrar mulher alguma que possa igualar-se a sua mãe. O mesmo ocorreria com a mulher, que devota toda a sua vida à mãe, como forma de superar o sentimento edipiano de culpa.
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