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[Glossário e Bibliografia]


Os Sonhos

 

“O simbolismo é talvez o capítulo mais notável da teoria dos sonhos. Em primeiro lugar, uma vez que os símbolos são traduções estáveis, concretizam, até certo grau, o ideal dos antigos, tanto quanto a interpretação popular dos sonhos, da qual, com a nossa técnica, nos afastamos amplamente”

 

(Sigmund Freud)

 

        Os sonhos são pontes importantes entre processos conscientes e inconscientes. Comparado à vida onírica, o pensamento consciente contém menos emoções intensas e imagens simbólicas, os símbolos oníricos, freqüentemente, envolvem tanta energia psíquica que o indivíduo é compelido a prestar atenção neles. Para Jung, os sonhos desempenham um importante papel complementar ou compensatório, os sonhos ajudam a equilibrar as influências variadas a que estamos expostos em nossa vida consciente, sendo que tais influências tendem a moldar nosso pensamento de maneiras, freqüentemente, inadequadas à nossa personalidade e individualidade.

        A função geral dos sonhos, para Jung, é tentar estabelecer a balança psicológica pela produção de um material onírico que reconstitui o equilíbrio psíquico total, abordou os sonhos como realidades vivas que precisam ser experimentadas e observadas com cuidado para serem compreendidas. Ele tentou descobrir o significado dos símbolos oníricos prestando atenção à forma e ao conteúdo do sonho e, com relação à análise dos sonhos, Jung distanciou-se gradualmente da forma psicanalítica na livre associação. Pelo fato do sonho lidar com símbolos, Jung achava que eles teriam mais de um significado, não podendo haver um sistema simples ou mecânico para sua interpretação. Qualquer tentativa de análise de um sonho precisa levar em conta as atitudes, a experiência e a formação do sonhador.

        "O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente", escreveu Freud em A Interpretação dos Sonhos (Die Traumdeutung). Nele Freud edificou os principais fundamentos da teoria psicanalítica, constituindo como ponto de apoio para todo o desenvolvimento posterior da sua obra. Para Freud, a essência do sonho é a realização de um desejo infantil reprimido, foi a partir desse princípio que ele elaborou as bases do método psicanalítico. Antes de Freud, os sonhos eram considerados apenas símbolos, analisados como se fossem premonições ou manifestações divinas. Segundo Freud, não existe nenhum fundamento no fato de que os sonhos têm o poder de adivinhar o futuro e nos sonhos não existem sentimentos morais, por meio da análise dos sonhos, mostrou a existência do inconsciente e transformou os sonhos em um instrumento revelador da personalidade humana. Os sonhos mostram uma clara preferência pelas impressões dos dias imediatamente anteriores. Têm à sua disposição as impressões mais primitivas da infância e até fazem surgir detalhes desse período da vida que, mais uma vez, parecem triviais e que, em estado de vigília, acredita-se terem caído no esquecimento há muito tempo.

        A visão pré-histórica dos sonhos ecoou na atitude adotada para com os sonhos pelos povos da Antiguidade clássica, eles aceitavam como axiomático que os sonhos estavam relacionados com o mundo dos seres sobre-humanos, nos quais acreditavam, e que constituíam revelações de deuses e demônios. Não havia dúvida de que, para aquele que sonhava, os sonhos tinham uma finalidade importante, que era predizer o futuro. A posição adotada perante os sonhos por filósofos isolados na Antiguidade dependia, até certo ponto, da atitude destes em relação à adivinhação em geral. Os sonhos não decorrem de manifestações sobrenaturais, mas seguem as leis do espírito humano, embora este, seja afim do divino. Definem-se os sonhos como a atividade mental de quem dorme, na medida em que esteja adormecido. Nos sonhos está a verdade: nos sonhos aprende-se a se conhecer tal como se é, a despeito de todos os disfarces que se usa perante o mundo, sejam eles enobrecedores ou humilhantes.

        Freud no livro A Interpretação dos Sonhos relatou, "É difícil escrever uma história do estudo científico dos problemas dos sonhos porque, por mais valioso que tenha sido esse estudo em alguns pontos, não se pode traçar nenhuma linha de progresso em qualquer direção específica. Não se lançou nenhum fundamento de descobertas seguras no qual um pesquisador posterior pudesse edificar algo; ao contrário, cada novo autor examina os mesmos problemas de novo e recomeça, por assim dizer, do início". Existem diversas causas para o esquecimento dos sonhos, geralmente esquece-se o que ocorre somente uma vez, há dificuldade em lembrar o que é desordenado e confuso, não se dá importância significativa aos sonhos. Todo sonho versa sobre o próprio sonhador, sempre que o ego do sonhador não aparece no conteúdo do sonho, mas somente alguma pessoa estranha, presume-se com segurança que o ego está oculto, por identificação, por trás dessa outra pessoa.

        Em outras ocasiões, quando o ego do sonhador, de fato, aparece no sonho, a situação em que isso ocorre pode mostrar que alguma outra pessoa está oculta, por identificação, por trás do ego. Uma conclusão no sonho representa uma conclusão nos pensamentos oníricos, um afeto experimentado num sonho não é inferior a outro de igual intensidade, sentido na vida de vigília. A análise mostra que o material de representações passou por deslocamentos e substituições, ao passo que os afetos permaneceram inalterados. A inibição do afeto deve ser considerada como a segunda conseqüência da censura dos sonhos, tal como a distorção onírica é sua primeira conseqüência. Em geral, é necessário buscar outra fonte de pensamentos do sonho, uma fonte que esteja sob a pressão da censura, em resultado dessa pressão, essa fonte normalmente produziria, não satisfação, mas o afeto contrário.

        Graças à presença da primeira fonte do afeto, porém, a segunda fonte fica habilitada a subtrair do recalque seu afeto de satisfação e a permitir que ele funcione como uma intensificação da satisfação da primeira fonte. Assim, parece que os afetos nos sonhos são alimentados por uma confluência de diversas fontes e sobredeterminados em sua referência ao material dos pensamentos oníricos. Durante o trabalho do sonho, as fontes de afeto passíveis de produzir o mesmo afeto unem-se para gerá-lo. Como existe uma forte tendência a se esquecer um sonho, por resistência, e quase todos assim se perdem, a função do analista é também de recordação. Ele tem a função de manter o sonho à tona por um tempo mais longo do que espontaneamente se daria, e por acompanhar seu movimento de disseminação e nova concentração.

        Para que um sonho seja interpretado é necessário que não se tente entendê-lo de uma só vez, na sua totalidade, pois devido a ser formado no inconsciente só existem afetos e fragmentos da realidade, muito confuso no primeiro momento. Deve-se dividi-lo em partes de acordo com o contexto do paciente e vai-se decifrando lentamente sem adotar um critério cartesiano, pois o mesmo fragmento de um conteúdo pode ocultar um sentido diferente quando ocorre em várias pessoas ou em situações diferentes. Os sonhos, isoladamente, não autorizam ao psicanalista fazer um diagnóstico e menos ainda a instituir um tratamento. As fontes somáticas de estimulação durante o sono (sensações durante o sono), a menos que sejam de intensidade incomum, desempenham na formação dos sonhos papel semelhante ao desempenhado pelas impressões recentes, mas irrelevantes, deixadas pelo dia anterior. Quando alguma coisa num sonho tem o caráter de discurso direto (quando é dita ou ouvida e não simplesmente pensada), provém de algo realmente falado na vida de vigília.

 

        O fenômeno da distorção dos sonhos: quando sonha e não se quer interpretá-lo ou lembrá-lo, é porque está havendo uma tentativa de esconder ou de não querer enfrentar algo a que se estava combatendo, recalcado no inconsciente. Nos casos em que a realização de desejo é irreconhecível, em que é disfarçada, deve ter havido alguma inclinação para erguer uma defesa contra o desejo; e, graças a essa defesa, o desejo é incapaz de se expressar, a não ser de forma distorcida. Pode-se supor que os sonhos recebem sua forma em cada ser humano mediante a ação de duas forças psíquicas (correntes ou sistemas) e que uma dessas forças constrói o desejo que é expresso pelo sonho, enquanto a outra exerce uma censura sobre esse desejo onírico e, pelo emprego dessa censura, acarreta forçosamente uma distorção na expressão do desejo.

 

O que é o Sonho

 

       Na concepção freudiana, o sonho é um produto da atividade do Inconsciente e que tem sempre um sentido intencional: a realização ou a tentativa de realização, mais ou menos dissimulada, de uma tendência reprimida. Os sonhos revelam a verdadeira natureza do homem, embora não toda ela, e constituem um meio de tornar o interior oculto da mente acessível ao conhecimento. Para definir o sonho como produto psíquico, tem-se que admitir que o sonhar constitui uma atividade psíquica que ocorre durante o sono, que tem caráter alucinatório e que se apresenta à consciência do indivíduo como algo experimentado na realidade. As características do sonho são semelhantes às alucinações dos distúrbios mentais, como disse Freud: "Os sonhos são alucinações do indivíduo são". Os sonhos podem ser provocados por estímulos externos (som do despertador, trovoada, etc.) ou terem sua causa em estímulos somáticos interoceptivos, como excitações viscerais (do coração, estômago, intestinos, bexiga). Porém, se leva em conta que tais estímulos apenas ativam o sonho, mas havendo nisso uma série de elementos, desejos e impulsos desconhecidos do consciente.

        O sonho é a realização de um desejo, um temor realizado, uma reflexão ou uma lembrança. O sonho de conveniência satisfaz desejos e necessidades. A transformação de representações em alucinações não é o único aspecto em que os sonhos diferem de pensamentos correspondentes na vida de vigília, os sonhos constroem uma situação a partir dessas imagens; representam um fato que está realmente acontecendo, eles "dramatizam" uma idéia. Foi no decorrer dos estudos psicanalíticos que Freud se deparou com a interpretação dos sonhos, seus pacientes assumiram o compromisso de lhe comunicar todas as idéias ou pensamentos que lhes ocorressem em relação a um assunto específico e, entre outras coisas, narravam os seus sonhos. Mostraram a Freud que o sonho pode ser inserido na cadeia psíquica a ser retrospectivamente rastreada na memória, a partir de uma idéia patológica. Freud usou o sonho como ponto de partida para associações que conduziam até as idéias inconscientes, que se ocultavam atrás de sintomas e sonhos, sendo responsáveis por ambos.

        Pela primeira vez, o significado dos sonhos era cientificamente abordado. Todo material que compõe o conteúdo de um sonho é derivado, de algum modo, da experiência - reproduzido ou lembrado no sonho. As emoções profundas da vida de vigília, as questões e os problemas pelos quais difunde-se a principal energia mental voluntária, não são os que costumam se apresentar de imediato à consciência onírica. No que diz respeito ao passado imediato são, basicamente, as impressões corriqueiras, casuais e esquecidas da vida cotidiana que reaparecem nos sonhos. As atividades psíquicas mais intensamente despertas são as que dormem mais profundamente, isso chama a atenção para o fato de os afetos nos sonhos não poderem ser julgados da mesma forma que o restante de seu conteúdo; e se confronta com o problema de determinar que parte do processo psíquico que ocorre nos sonhos deve ser tomada como real.

        Os sonhos servem de válvula de escape para o cérebro sobrecarregado, possuem o poder de curar e aliviar. Embora seja verdade que os sonhos devem uma parte do seu conteúdo ao evento mental corrente, o resíduo do dia não é suficiente para produzi-los. Um sonho só se forma quando o evento corrente estabelece contato com um impulso do passado, especificamente com um desejo infantil. A experiência subjetiva que aparece na consciência durante o sono e que, após o despertar, chama-se de sonho, é apenas o resultado final de uma atividade mental inconsciente durante esse processo fisiológico que, por sua natureza ou intensidade, ameaça interferir com o próprio sonho. Ao invés de acordar, a pessoa sonha. Dormimos porque sonhamos em vez de sonhamos porque dormimos. Os sonhos das crianças pequenas são, freqüentemente, pura realização de desejos e são, nesse caso, muito desinteressantes se comparados com os sonhos dos adultos, não levantam problemas para serem solucionados, mas são de inestimável importância para provar que os sonhos representam realizações de desejos. É possível que os sonhos aflitivos e os sonhos de angústia nos adultos, uma vez interpretados, revelem-se como realizações de desejos.

 

Interpretação dos Sonhos

 

        Os sonhos constituem o melhor caminho para descobrir e entender o inconsciente, têm grande valor como veículos para conhecer os elementos e alguns dos mecanismos do psiquismo, que são semelhantes aos que provocam os sintomas das neuroses e psicoses, bem como os chamados psicossomáticos. Muitos sonhos exercem influência sobre o humor em que viverá o período de vigília seguinte. Além dos sonhos noturnos, há os sonhos chamados sonhos diurnos ou devaneios, tendo em comum com os sonhos do dormir o fato de terem um visual alucinatório distintivo, diferenciado pela sucessão ordenada e pelas peculiaridades estruturais, indicando que se produzem no pré-consciente (com intensa e prolongada elaboração secundária). Quando se suspeita que no sonho há algum significado encoberto é necessário chegar até ele, usando a interpretação, a princípio se faz o trabalho da interpretação com base na associação de idéias -, o método inerente fundamenta-se na lei psicobiológica conhecida como lei de Semon, ou seja, lei da ecforia sucessiva.

        A interpretação dos sonhos desvela os conteúdos mentais, pensamentos, dados e experiências que foram reprimidos ou recalcados, excluídos da consciência pelas atividades de defesa do ego e superego e enviadas para o inconsciente. A parte do id cujo acesso à consciência foi impedido, é exatamente a que se encontra envolvida na origem das neuroses. Surge o sonho, numa zona congestionada do entrelaçamento dos campos, de onde resulta que seu conteúdo exprima regras atinentes a distintos temas psíquicos simultaneamente; por isso não possui um só sentido latente, mas uma rede de significações emocionais, o sonho é um momento diagnóstico por excelência, identifica o sujeito.

 

        Ao interpretar o sonho, considera-se os seguintes elementos:

 

. O conteúdo manifesto - As imagens do sonho tal como são recordadas ao despertar.

. O conteúdo latente - Pensamentos dos sonhos, que são as imagens, desejos e pensamentos que constituem seu motivo verdadeiro e pretendem chegar ao consciente. São produtos da atividade psíquica que continua, apesar de o indivíduo estar dormindo, o fato dessa atividade ser inconsciente não significa que não exista, pelo fato de ser possível solucionar problemas enquanto se dorme. Tal conteúdo latente está submetido ao processo primário, por ser inconsciente. O afeto vivenciado no sonho pertence a seu conteúdo latente, o conteúdo afetivo do sonho permaneceu intocado pela distorção que se apoderou de seu conteúdo de representações.

. A censura - Expressão repressora do ego a serviço do superego.

. O trabalho do sonho - Elaboração psíquica pela qual passa o conteúdo latente antes de converter-se em conteúdo manifesto.

 

        Quando se refere aos sonhos num sentido teórico, tem-se três entidades distintas: o sonho manifesto, os pensamentos oníricos latentes e o funcionamento do sonho. O conteúdo latente é a parte mais importante do sonho. Os pensamentos e desejos inconscientes que ameaçaram acordar a pessoa são denominados como conteúdo latente do sonho -, toda a significação, desejos, problemas, neuroses e até predisposições psicóticas estão nessa parte. As operações mentais inconscientes por meio das quais o conteúdo latente do sonho se transforma em sonho manifesto, dá-se o nome de elaboração do sonho, também chamada dramatização. O processo responsável por essa transformação, que Freud considerava a parte essencial da atividade onírica, é o funcionamento do sonho.

        O sonho não só apresenta as formas e facetas de resistência, mas pode tornar-se um veículo para a expressão da força que se opõe à análise, a mesma resistência que usa o sonho para absorver uma hora inteira, fornece uma variação quando atrasa a apresentação para os últimos minutos. A transferência, positiva ou negativa, pode converter-se numa fonte de resistência obstinada, sendo que uma e outra podem caminhar juntas. Uma fantasia consiste num desejo inconsciente, trabalhado pela capacidade do pensamento lógico a fim de dar origem a uma expressão disfarçada e a uma satisfação imaginária do desejo pulsional. O bebê sonha com seus desejos que se tornam em fantasias de suas expressões diretas das pulsões e impulsos, pois as pulsões dão origem às fantasias.

        No adulto, o simples fato de fantasiar é para fugir de realidades dolorosas. Descreve-se o elemento dos pensamentos oníricos como uma "fantasia". O "sonho diurno", ou devaneio é algo análogo à fantasia na vida de vigília, há alguns sonhos que consistem meramente na repetição de uma fantasia diurna que talvez tenha permanecido inconsciente. Tem sido demonstrado, por pesquisadores do sono e do sonho, que todas as pessoas sonham regularmente durante todo o seu período de sono, daí dizer que o "sonho é o guardião do sono". O sonho é o fiel guardião da saúde psíquica, da alegria de viver, uma vez que a vida não passa, em essência, de uma contínua procura de prazer, contrariada pela realidade (Teoria do Princípio do Prazer).

        As pessoas que "não sonham", quando analisadas, apresentam recalques afetivos profundos, porém, quando uma pessoa, efetivamente, "não sonha", é porque possui problemas estruturais graves, ou seja, são psicóticas e difícil de serem analisadas. O sonho acordado surge por meio de representações, que se fantasia à maneira de cada um, segundo o curso que se dá às fantasias. Caso se pergunte se é possível interpretar todos os sonhos, a resposta deve ser negativa. Não se deve esquecer que na interpretação de um sonho, tem-se como oponentes as forças psíquicas que foram responsáveis por sua distorção.

        A função do sonhar tem um papel econômico, que é a tentativa de satisfazer um desejo inconsciente reprimido, quando esse desejo reprimido é imoral - não aceito pelo superego -, sofre uma série de transformações. Sonhos de angústia e pesadelos acontecem por produção de uma falha na elaboração do sonho, fazendo com que o indivíduo acorde angustiado. Para poder passar através da censura (parte inconsciente do ego) e expressar-se como conteúdo manifesto, sem provocar angústia, o conteúdo latente precisa de uma elaboração denominada deformação do sonho ou deformação dos conteúdos latentes, que consiste numa série de mecanismos.

 

Mecanismos Para a Elaboração do Conteúdo Latente (Deformação do Sonho)

 

Dramatização ou Concretização

 

Nos sonhos não existem pensamentos abstratos, mas somente imagens concretas, a elaboração do sonho expressa os pensamentos abstratos mediante imagens concretas, sem preocupar-se com a lógica da tradução. Um acontecimento da infância pode se concretizar nas roupas dos personagens, que se apresentam vestidos de acordo com épocas passadas. Uma pessoa que não quer abandonar sua casa sonha estar plantando sementes, que rapidamente se tornam árvores.

 

Condensação

 

União de vários personagens ou elementos do conteúdo latente, aparecendo no conteúdo manifesto como uma única pessoa, mas com as características condensadas de cada uma delas. Por exemplo, se uma moça sonha com uma amiga que se chama Nono, a interpretação revelará que sonhou com duas amigas: Nora e Noêmia, por isso a pessoa da imagem do conteúdo manifesto tem o nome com a sílaba comum a ambas.

 

Desdobramento ou Multiplicação

 

É o oposto da condensação, onde a pessoa ou objeto do conteúdo latente corresponde a duas ou mais do conteúdo manifesto, cada um dos elementos pode estar indicando uma qualidade. Por exemplo, a análise dos sonhos onde o indivíduo sempre via suas mãos com oito dedos em cada uma, revelou sua angústia de castração, que ele tentava superar multiplicando seus dedos, símbolos do pênis.

 

Deslocamento

 

Processo mais importante da deformação do sonho, que consiste na substituição de uma imagem do conteúdo latente por uma outra no conteúdo manifesto, também pode ocorrer o deslocamento de uma emoção. A isso se dá o nome de projeção -, se um personagem do conteúdo latente tem desejos agressivos contra outro, no conteúdo manifesto é este quem os tem. Outro processo derivado do deslocamento é a identificação, onde o personagem principal aparece com os sentimentos ou traços do objeto. A projeção diferencia-se do deslocamento na medida em que neste há uma modificação da idéia expressada, por exemplo, um acidente sexual do conteúdo latente é representado no conteúdo manifesto por um acidente de trânsito. Na projeção a idéia não muda de forma, só passa de uma pessoa para outra.

 

Inversão da Cronologia

 

O conteúdo manifesto apresenta como imagem do sonho a imagem imediatamente posterior à que forma o conteúdo latente. Por exemplo, sonhar que está sentado com alguém, se levantar e caminhar, o conteúdo latente seria: caminhar até encontrar um lugar onde possam sentar-se e se beijar.

 

Representação Pelo Oposto

 

Quando um personagem ou quem sonha, que no conteúdo latente do sonho tem uma intensa emoção, aparece no conteúdo manifesto como totalmente calmo. Por exemplo, quando intensos desejos de amor no conteúdo latente se expressam no conteúdo manifesto por ódio ou rejeição.

 

Representação Pelo Nímio

 

Quando uma representação do conteúdo latente se faz no conteúdo manifesto através de uma imagem de seus detalhes mais insignificantes. Muitas vezes o desejo inconsciente de despir uma mulher pode aparecer, no conteúdo manifesto, como o ato de tirar-lhe um brinco. Outra forma consiste em sublinhar, no conteúdo manifesto, algo que nos pensamentos latentes tem valor secundário e colocar o principal em segundo lugar. O desejo de estar com uma pessoa pode manifestar-se sob a forma de enfado, mas na realidade o enfado seria secundário a uma impossibilidade simultânea de estar com essa pessoa.

 

Representação Simbólica

 

Quando em diferentes sonhos observa-se que, determinado elemento concreto do conteúdo manifesto está relacionado com um elemento reprimido do conteúdo latente, dá-se ao primeiro o nome de símbolo -, por representação simbólica deve-se entender que um objeto ou ato não aparece como tal no conteúdo manifesto, mas representado mediante o símbolo. Em psicanálise, para que um elemento concreto do conteúdo manifesto seja considerado símbolo, é condição essencial que o simbolizado esteja reprimido -, uma mangueira pode representar simbolicamente o pênis, mas um pênis não pode representar uma mangueira, dado que a imagem desta não se encontra reprimida.

De modo geral, quando se pede ao paciente para fazer associações sobre os símbolos, nada lhe ocorre, por isso, Freud chamou os símbolos de "elementos mudos" do sonho. O simbolizado, na realidade, é pouco, mas há uma infinidade de símbolos, entre os quais existem alguns que se pode chamar de universais, aparecendo nos mitos, no folclore, nos sonhos (tanto das pessoas normais como de doentes) e, também, nas expressões verbais ou mímicas dos psicóticos, por isso é possível compreender a linguagem esquizofrênica usando-se uma técnica semelhante à da interpretação de sonhos, tal como para interpretação de um sonho, é necessário conhecer totalmente o passado do indivíduo e os eventos que levaram à sua enfermidade. Não se pode dizer que entre um símbolo e seu significado exista uma relação constante, pois o símbolo pode ter diversos significados, que variam segundo a cultura.

 

O Significado Simbólico dos Sonhos

 

        Freud adverte: o significado dos símbolos deve ser somente utilizado como um método auxiliar. As associações do paciente com o elemento onírico (sonho), determina a preferência em todos os casos, a interpretação correta só pode ser alcançada em cada ocasião. Os elementos podem ser modificados inclusive demonstrando ser o oposto, deve-se sempre investigar o contexto. Muitas vezes, um símbolo tem que ser interpretado em seu sentido próprio e não simbolicamente, ao passo que, em outras ocasiões, o sonhador pode tirar de suas lembranças particulares o poder de empregar como símbolos sexuais toda sorte de coisas que não são comumente empregadas como tais.

 

Algumas Simbologias e Significados dos Sonhos

 

. Atravessar espaços estreitos ou estar na água: baseia-se em fantasias da vida intra-uterina, da existência no ventre e do ato do nascimento.

 

. Morte de um ente querido: desejo de que a pessoa em questão venha a morrer.

 

. Estar despido: sonhos de exibição.

 

. Rei, príncipe, presidente, imperador, autoridade: o pai do sonhador.

 

. Rainha, princesa, mulheres ilustres: a mãe de quem sonha.

 

. Chama (fogo), gravata, meninos pequenos, cobra, peixe, caracol, rato, aviões, foguetes, número 3, edifícios, torres, igrejas, monólito, mirantes, armas (facas, espadas, etc.), objetos que expelem líquidos (torneiras, fontes, etc.), lâmpadas que pendem do teto, batom extensível, telescópios, antenas de automóvel, lápis, canetas, lixas de unhas, foguetes, balões, papagaios, pássaros, cogumelo, trevo de quatro folhas: símbolo sexual masculino, pênis. Se é mulher quem sonha, tem desejo de ser homem.

 

. Estojos, caixas, estufas, cavernas, paisagens, bosques, barcos, habitações, máquinas, aparelhos, chapéu ou agasalho feminino, peles, moitas, grupo de árvores, barba, portas, "O" (zero), "doce", "pote de mel", caracóis, gato, jóias, boca, ferradura, coroa, covas, vasos, garrafas, bolsos, sapatos, chinelos, lareira: corpo feminino, ou seu órgão sexual.

 

. Várias habitações: harém ou lugar de prostituição.

 

. Duas habitações: teoria infantil da cloaca (quando o menino supõe que o órgão sexual feminino se confunde com o ânus).

 

. Subindo ou descendo uma escada: ato sexual.

 

. Muros lisos: corpo de homem.

 

. Muros salientes: corpo de mulher.

 

. Ato de comer alimentos, gulodice: prazer sexual.

 

. Calvície, cortar cabelos, extração ou queda de dentes, decapitação: complexo de castração.

 

. Animais pequenos, pragas e parasitas: irmãozinhos pequenos que vieram perturbar com o seu nascimento.

 

. Número 9, corpo invadido por parasitas, tumor, canguru, gambá, vaca, hipopótamo, camelo: gravidez.

 

. O caminho esquerdo, urinar sobre uma fogueira, fantasia da falta de lactação: homossexualidade, incesto.

 

. Animais selvagens: instintos ou paixões perversas.

 

. Roupas íntimas e roupas brancas, flores: símbolos femininos.

 

. Planos, mapas, gráficos, diagramas: corpo humano com os órgãos genitais.

 

. Criança pequena, filhinho ou filhinha: órgãos genitais (masculino, feminino).

 

. Bagagem: encargo de família.

 

. Tocar piano, jogos, teclado, escorregar, desfolhar um galho, número 5: masturbação.

 

. Dançar, cavalgar, subir ou descer escadas, portas estreitas, escadas altas e íngremes: relações sexuais.

 

. Ser machucado, surrado, torturado, baleado, crucificado, assassinado: sadomasoquismo.

 

. Dinheiro: amor ou pagamento para fazer sexo.

 

. Aranhas: mãe fálica, mãe cruel.

 

. Lugar que acredita já ter estado ali: órgãos sexuais da mãe do sonhador.

 

. Casa: representa a personalidade.

 

. Água como fator predominante: nascimento.

 

. Sendo salvo ou salvando alguém da água: relação materna entre os envolvidos.

 

. Caixa de jóias, tesouro: pessoa amada.

 

. Corpo humano por inteiro: os pais, os filhos, os irmãos, nascimento, morte, nudez.

 

. Palidez, viagem, partida, emudecimento, esconder-se, vazio, escuridão, feiúra, desordem, sujeira, excrementos secos de animais: morte.

 

. Viagem: lua-de-mel.

 

. Viagem ao desconhecido: processo de psicanálise.

 

. Desejo de matar ou de suicídio: cuidado - um sentimento forte de matar ou morrer.

 

. Placa de veículos: ano do evento.

 

. Roupas e uniformes: nudez.

 

. Ônibus: conduz outras pessoas da família ao analista.

 

. Mártir, santos, demônios: sua neurose.

 

. Olhar no espelho: olhar para si mesmo.

 

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