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[Glossário e Bibliografia]


 

As Teorias de Alfred Adler

 

        Segundo Adler, a fórmula ou meta imaginária "eu quero ser um homem completo" é a "ficção condutora" ou "princípio condutor" de todas as neuroses -, os impulsos e tendências sexuais para as "perversões sexuais" estão subordinados ao referido princípio, a preponderância da fantasia sexual ou mesmo de sentimento sexual exprime uma compulsão no sentido da "meta masculina". Esse impulso para um alvo masculino, vem de profundos sentimentos de inferioridade e de uma necessidade de neutralizar os sentimentos de inferioridade e ineficácia, o impulso no sentido da meta masculina é designado para preencher tal necessidade -, só pela existência de tal meta é que o "neurótico" pode achar a vida suportável. Adler atribui a origem das dificuldades do "indivíduo neurótico" a uma "inferioridade constitucional", de algum órgão ou "sistema de órgãos" -, a inferioridade de um órgão manifesta-se numa influência sobre a psique, seja na ação, pensamento, sonhos, escolha de vocação ou nas inclinações e capacidades artísticas. São distinguidas duas formas ou grupos de inferioridade de órgão, o morfológico e o funcional.

        A inferioridade funcional é, talvez, a principal, sendo que através de algum defeito funcional é que a anomalia morfológica se descobre. No organismo há uma tendência inerente para contra-atuar um defeito, ocorre uma "compensação", que pode ter lugar pela utilização de outro órgão, em vez do inferior ou fraco, por meio do trabalho intensificado do próprio órgão inferior. Até o gênio é interpretado como resultante de compensação num cérebro inferior. A normalidade de um órgão não é a mesma coisa que saúde, um órgão pode ser inferior e funcionar de um modo chamado normal, certas condições podem esconder tal deficiência -, a compensação pode aliviar a carga de um órgão inferior para que este funcione de maneira que pareça saudável.

        Órgãos com ligeira capacidade inferior podem desenvolver uma capacidade funcional maior do que a de órgãos normais, a maior capacidade funcional resulta de constante exercícios e adaptação de órgãos inferiores, sob diversas condições, bem como do desenvolvimento das estruturas nervosas e psicológicas relacionadas aos mesmos, sendo estimuladas por atenção vigilante sobre as vicissitudes dos órgãos inferiores. Por outro lado, a estrutura psíquica que acompanha a inferioridade de órgão fornece uma base para neuroses e psicoses -, há uma terceira saída para uma inferioridade orgânica, a saber, a doença e degeneração físicas. A posse de órgãos inferiores resulta numa reduzida auto-estima e incerteza psicológica, sobrevém uma luta pela auto-afirmação, a criança com um órgão inferior desenvolve vários estratagemas para seu sentido de mérito e valor que, por vezes, tais estratagemas adquirem o caráter da neurose ou psicose.

 

Divergências de Alfred Adler em Relação a Freud

 

        Adler não aceitou os conflitos sexuais do início da infância como causadores de doenças mentais, conforme Freud afirmava. Sua filosofia está na idéia de que o mecanismo propulsor da mente é um desejo de dominar e superar sentimentos de inferioridade adquiridos nos primeiros anos de vida. O bloqueio desses impulsos agressivos básicos provoca inúmeros conflitos no inconsciente, surgem quando a agressão falha e o indivíduo vê confirmados seus sentimentos de inferioridade. Adler admite que o significado do sexo, razão para a sua associação com a neurose, é o fato de ser usado pelo indivíduo como uma arma conveniente em sua luta para dominar os outros.

 

Fundamentos da Psicanálise Junguiana

 

        Jung trabalhou junto com Freud por seis anos, influenciando-se mutuamente. Segundo Jung, o ser humano herda uma necessidade de se referir a mitos e símbolos, porque conferem à vida um significado aparente -, necessidade que existe ao nível do inconsciente. O indivíduo bem ajustado é o que encontra um ponto de equilíbrio entre as camadas consciente e inconsciente de sua vida psíquica. Todos herdam padrões comuns de comportamento emocional e mental, denominados por Jung de arquétipos, que produzem fantasias, pensamentos e ações simbólicas.

        Os fenômenos naturais perderam suas implicações simbólicas, segundo interpretação de Jung em O homem e seus símbolos - "O trovão deixou de ser a voz de um deus zangado, e o raio, o seu projétil vingador. Nenhum rio possui um espírito, nenhuma árvore é o princípio vital do homem, nenhuma cobra é a corporificação da sabedoria, nenhuma caverna na montanha é a casa de um grande demônio. Pedras, plantas e animais já não têm vontade para falar ao homem, nem o homem fala com eles acreditando que possam ouvi-lo. Seu contato com a natureza partiu, e com ele partiu também a profunda energia emocional que sua simbólica conexão produzia".

        Ainda diz: "Os homens não refletiam sobre seus símbolos; eles o viam e eram inconscientemente animados por seu significado". No homem, o inconsciente se expressa mais livremente através dos sonhos, os símbolos que neles aparecem têm um significado pessoal preciso para o sonhador que souber interpreta-los. Algumas vezes, esses símbolos possuem uma identidade "mitológica".

        É preciso levar em consideração o aspecto (primeiramente observado e comentado por Freud) de que muitas vezes, ocorrem nos sonhos, elementos que não são individuais e que não podem ser derivados da experiência pessoal de quem sonha. Jung desejava que as pessoas aprendessem a se relacionar positivamente com os símbolos de seu "inconsciente coletivo", suspeitar deles, trata-los desdenhosamente ou rejeita-los pode não afetar o indivíduo enquanto sua vida esteja correndo bem, mas se ocorrer uma fase de dificuldades, a ausência de um significado válido para a vida pode tornar o sofrimento intolerável para a maior parte das pessoas.

        "Desde tempos imemoriais, os homens tiveram idéias a respeito de um ser supremo (ou vários) assim como de uma terra da vida futura. Somente hoje pensam que podem dispensar tais idéias". Segundo Jung, algumas das atividades do inconsciente podem ser infantis ou "patológicas", mas outras constituirão uma fonte de atividade positiva e criadora, vital para o crescimento e desenvolvimento da personalidade madura. Diz que os deuses e demônios do homem, na verdade, não desapareceram, mas apenas adquiriram novos nomes.

        "Eles se mantêm em ação através de insônia, vagas apreensões, complicações psicológicas, uma insaciável necessidade de pílulas, de álcool, de fumo e, acima de tudo, de um longo cortejo de neuroses". O preço que o homem moderno paga para sustentar o seu credo é "uma notável falta de introspecção".

        A divergência com Freud foi sobre a importância relativa do impulso sexual e libido. Desenvolveu uma linguagem quase mística em contraste com o realismo social de Adler, Jung acreditava que a libido ou energia psíquica é a manifestação de uma espécie de "vontade de viver", inata aos seres vivos, sendo os impulsos sexuais uma parte dela. O bloqueio, a repressão ou frustração da libido levaria ao tipo de conflito que induziria à neurose. Sua grande contribuição é a abordagem criadora e diferente para a interpretação de sonhos.

 

As Teorias de Otto Rank

 

        O trauma do nascimento marcou um afastamento significativo do freudismo tradicional e serve como ponto de partida para a exposição da idéias de Rank. Freud foi quem primeiro chegou a uma teoria sobre o trauma do nascimento, contudo não desempenha uma função vital em sua psicologia e Freud rejeita as deduções de Rank, com respeito à teoria e à terapia. Enquanto Freud sublinha os acidentes físicos e as dificuldades fisiológicas do processo do nascimento como causa de ansiedade, Rank salienta que a separação do organismo ou a "agradável situação primária, no útero" tem significado fundamental.

        Para Rank, a situação intra-uterina é tão boa que o homem anseia pela vida intra-uterina e, de um modo ou outro, luta para recupera-la. Com exceção da morte que é inconscientemente sentida como um retorno ao útero, à origem, o nascimento físico constitui a experiência mais ansiosa que o homem sofre. A experiência de ter nascido causa um profundo choque no organismo indefeso, que envolve a separação física da mãe e as mudanças de estado, causando o primeiro sentimento de ansiedade, designado de "ansiedade primordial" -, esta "apaga a recordação do anterior estado de prazer" (desfrutado antes de nascer), é estabelecida uma barreira mental à recordação do estado anterior e institui um recalque inicial "primário". Sempre que haja uma tendência para restaurar o "prazer primordial", gera-se uma ansiedade que apaga a "memória" do mesmo e por motivo da dor provocada, tal iniciativa é desencorajada.

        Para Rank, a psique ou mente tem sua origem na ansiedade experimentada do trauma do nascimento, pensa que o ser humano precisa do período de infância para conseguir superar o trauma do nascimento em condições aproximadamente normais, os neuróticos são pessoas que não triunfaram nessa tarefa. A propensão para a ansiedade foi originada no trauma natal, e a ansiedade original é transferida para quase tudo -, o medo e ansiedade da criança são utilizados para a "remoção" (descarga) do afeto de ansiedade primordial. As funções normais da criança, tais como a alimentação (sucção) e a expulsão de excremento, evidenciam a tendência para continuar a liberdade pré-natal; da mesma forma uma fixação excessiva que persiste em outras formas infantis de prazer, constitui a manifestação do desejo de recuperar o estado original.

        Aqueles que não podem reconciliar-se com a forma de satisfação sexual designada para eles, quando desejam satisfazer a libido primária em relação à mãe, a título de compensação pelo trauma natal, tornam-se neuróticos, os que lutam por uma forma original de satisfação, por vezes, na identificação com a mãe, chocam-se com as "fronteiras de ansiedade" do trauma de nascimento e desenvolvem uma neurose. Pessoas saudáveis encontram satisfação nos modos parciais, substitutivos e simbólicos de satisfação do desejo primordial, enquanto os neuróticos, que se mantêm infantis, desejam retornar completamente à mãe.

 

As Teorias de Karen Horney

 

        Por mais de quinze anos, Karen Horney foi uma psicanalista praticante e freudiana ortodoxa, mas em determinada época, surgiram dúvidas quanto à propriedade e utilidade de muitas formulações teóricas e idéias de Freud. Sua chegada à América parece ter sido um dos fatores decisivos - "A maior emancipação das crenças dogmáticas, que encontrei neste país, aliviou a obrigação de tomar como certas as teorias psicanalíticas e me deu coragem para prosseguir segundo as diretrizes que eu considerei corretas. Além disso, o contato com uma cultura que, em tantos aspectos, é diferente da européia, me ensinou a compreender que muitos conflitos neuróticos são determinados, em última análise, por condições culturais".

       As primeiras obras de Erich Fromm, entre outras, parecem ter sido outra influência para reforçar suas discordâncias sobre Freud e desenvolver suas próprias idéias. O primeiro livro de Horney, A personalidade neurótica de nosso tempo, tentou explicar os fenômenos neuróticos não, primordialmente, nos termos do complexo de Édipo (o qual, segundo Freud, é o âmago de toda a neurose), mas em termos de uma "ansiedade básica". Pretende que os problemas morais desempenham uma função importante na neurose, revela-se mais otimista que Freud a respeito da natureza humana - "O pessimismo de Freud quanto às neuroses e respectivo tratamento promana das profundezas de sua descrença inamovível na bondade e progresso humanos. O homem, postulou Freud, está condenado a sofrer ou destruir. Os instintos que o impelem podem apenas ser controlados ou, no melhor dos casos, 'sublimados'. Minha própria opinião e crença, contudo, é que o homem tem a capacidade e o desejo bastantes para desenvolver suas potencialidades e converter-se num ser decente, deteriorando-se aquelas se sua relação com os outros e com ele próprio for, ou continuar a ser, perturbada. Creio que o homem pode mudar e vai-se modificando enquanto vive. E esta crença cresceu com uma compreensão cada vez mais profunda".

 

As Teorias de Erich Fromm

 

        Entre os que aplicam o conhecimento contemporâneo da Sociologia e da Antropologia à Psicanálise, encontram-se Fromm, Kardiner, Horney e H. S. Sullivan. Freud estava de tal modo imbuído do espírito de sua cultura que não podia transcender certos limites estabelecidos por essa cultura, toda pessoa carrega dentro de si as virtudes e limitações próprias da sua cultura, por meio da qual, vive e respira. As limitações culturais de Freud circunscreveram sua compreensão tanto do indivíduo enfermo como do "normal", também prejudicaram seu entendimento dos fenômenos irracionais que operam na sociedade.

        "Freud aceitou a crença tradicional numa dicotomia básica entre homem e sociedade, bem como a doutrina tradicional da malignidade da natureza humana. O homem, para ele, é fundamentalmente anti-social. A sociedade tem que domestica-lo, permitir-lhe alguma satisfação direta dos impulsos biológicos - logo, inextirpáveis; mas em sua grande parte, a sociedade deve refinar e controlar apropriadamente os impulsos básicos do homem. Em conseqüência dessa supressão de impulsos naturais pela sociedade, algo miraculoso acontece: os impulsos suprimidos convertem-se em esforços culturalmente valiosos e, assim, tornam-se numa base de cultura.

        Freud escolhe a palavra sublimação para essa estranha transformação da supressão em conduta civilizada. Se o montante de supressão é maior do que a capacidade para sublimação, o indivíduo torna-se neurótico e é necessário permitir-lhe o alívio de supressão. Geralmente, contudo, há uma relação inversa entre a satisfação dos impulsos do homem e a cultura: quanto mais supressão, tanto mais cultura (e tanto maior o perigo de perturbações neuróticas). A relação do indivíduo com a sociedade, na teoria de Freud, é essencialmente de ordem estática: o indivíduo permanece virtualmente o mesmo e só se modifica na medida em que a sociedade exerça maior pressão em seus impulsos naturais (forçando, assim, mais sublimação) ou permita maior satisfação (sacrificando, assim, a cultura)".

 

As Teorias de Harry Stack Sullivan

 

        Sullivan escreveu pouco, sua linguagem é altamente técnica e seu pensamento muito complexo, sutil e bastante denso. Tornou-se conhecido por seu sucesso com jovens pacientes esquizofrênicos, embora tenha tentado elaborar uma teoria da personalidade e da evolução da personalidade, suas idéias conservam sempre uma formulação orientada pela terapia. Sua principal contribuição foi a teoria das relações interpessoais -, tenta demonstrar como os padrões de cultura acabaram por constituir a tessitura da mente e da personalidade.

Mostrou como a mente e a personalidade funcionam sempre numa referência interpessoal, não como entidade isolada e mais ou menos autocontida.

 

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